LAKERS 2018/2019: O QUE DEU ERRADO?
| Ao trazer Lebron James na agência livre, nem o torcedor mais pessimista poderia imaginar que o Lakers ficaria de fora dos playoffs. O que aconteceu? |
Primeiro de julho de 2018. Em anúncio feito através da conta oficial no
Twitter da Klutch Sports, empresa que agencia a carreira do atleta, Lebron
James se tornava um Laker. Depois de anos sofrendo por times ridículos, sem
brio e sem qualidade, finalmente o Lakers voltava aos trilhos. A maior franquia
da NBA agora tinha o maior e melhor jogador da NBA. Nada poderia dar errado.
Lebron James, com auxílio dos jovens selecionados nos últimos Drafts, levaria a
equipe, pelo menos, aos playoffs, onde tudo poderia acontecer e o sucesso
dependeria de uma série de fatores. Mas quando nada parecia poder dar errado,
tudo deu. Vimos um time pior que o da temporada anterior, que não contava com
Lebron James, fracassando sucessivamente. Um time que não teve capacidade nem para
ganhar consistentemente de equipes fraquíssimas em modo tank (quando as
franquias que não almejam grandes coisas na temporada enfraquecem suas equipes
propositalmente, buscando a pior campanha possível para garantir uma boa
colocação no Draft); um time que jamais jogou como time; um time que, já em
fevereiro, parecia ter desistido da temporada. Mas, afinal de contas, o que deu
errado? Ainda que, matematicamente, existam chances, é extremamente improvável
que o Lakers consiga o milagre de reagir e chegar aos playoffs. Mas então, como
o Lakers conseguiu a façanha de trazer Lebron James e não passar nem perto de
chegar aos playoffs? Amigo(a), quando uma franquia do tamanho do Lakers, com um
jogador do porte de James em seu elenco, sequer chega perto de estar nos
playoffs, é porque diversos erros foram cometidos no caminho. Então vamos lá…
COMISSÃO TÉCNICA
| Inexperientes e desqualificados: Do head coach Luke Walton à cada um de seus assistentes, com apenas uma exceção, a comissão técnica do Lakers foi um desastre. |
Se para alguns Luke e sua trupe mereciam uma chance de treinar um time de maior nível para de fato serem “julgados”, a oportunidade lhes foi dada. Ainda que não tivessem um elenco espetacular em mãos, qualquer time com Lebron James é consideravelmente acima da média. Ainda que tivesse suas fragilidades (falaremos disso mais adiante), o elenco do Lakers 18/19 estava longe de ser uma porcaria. Estava longe de sequer brigar pra valer por uma vaga nos playoffs. Essa conta é quase que exclusiva da comissão técnica.
Mas quem são os profissionais que formam, junto com Luke Walton, esse
departamento? A comissão técnica do Lakers foi formada por
treinadores/assistentes inexperientes, com pouco sucesso prévio e/ou, pasmem,
por “parças” de Luke Walton. Vamos aos nomes:
Luke Walton. Não irei me estender aqui. Já fiz um texto sobre Luke analisando a
temporada anterior e, se você ainda não leu, vale a pena dar uma conferida,
afinal os problemas se repetem, mudam-se apenas os nomes.
Brian Shaw. Ex jogador do Lakers, Shaw foi assistente na própria franquia da
temporada 2004/2005 até 2011. Depois, também como assistente, trabalhou no
Indiana Pacers das temporadas 2011/2012 e 2012/2013, que teve ótimas campanhas
e chegou às semifinais e finais de conferência, respectivamente.
Shaw assumiu a prancheta do Denver Nuggets durante as temporadas de
2013/2014 e 2014/2015 e, sem um elenco muito qualificado em mãos, terminou com
um recorde de 56 vitórias e 85 derrotas nos 141 jogos que comandou a franquia.
Com 59 jogos na temporada 2014/2015, Shaw foi demitido. Foi então que, em 2016,
voltou ao Lakers, dessa vez como assistente de Luke Walton.
Shaw tem experiência como jogador e assistente, especialmente nos anos
em que auxiliava Phil Jackson, um dos maiores técnicos que o basquete já viu.
Certamente também teve sua parcela de contribuição no sucesso daquele ótimo
Indiana Pacers que sucumbiu apenas ao Miami Heat de Lebron James, Dwyane Wade e
Chris Bosh. Porém, os tempos comandando o Denver Nuggets deixaram seus defeitos
bastante explícitos, mostrando que apesar de experiente e de possuir em seu
currículo trabalhos em times de sucesso, Shaw provavelmente não tem condições
de um dia se tornar um treinador de sucesso. Shaw, em momento algum, aparenta
ser uma “mente brilhante” do basquete, muito pelo contrário. Shaw faz muito
mais o perfil “paizão” do que de fato alguém que entenda muito do esporte.
Mark Madsen. Também ex jogador do Lakers, o “Mad Dog”, como era conhecido, foi um
daqueles jogadores que fazem você pensar que deveria ter tentado a vida como
jogador de basquete. Conhecido pela defesa e, principalmente, pelo jogo físico,
Mark teve, em seu melhor ano, a espetacular média de 3.6 pontos em 17 minutos.
Como treinador, Madsen não possui muita experiência. Iniciou sua
carreira em 2009, como assistente do Utah Flash na antiga D-League (hoje
G-League), e foi pulando de galho em galho. Em 2012, exerceu o mesmo cargo na
universidade de Stanford. Depois, comandou por um brevíssimo período a filial
do Lakers na D-League, o Los Angeles D-Fenders, até ser promovido ao Lakers em
2013 pelo então recém chegado Byron Scott e, posteriormente, mantido por Luke
Walton, em 2016.
Madsen, aliás, foi protagonista de um dos episódios mais vergonhosos da
história recente da franquia. Segundo o jornalista Kevin Ding, no processo do
Draft de 2015, durante o treinamento do hoje ala pivô/pivô do New York Knicks,
Kristaps Porzingis, jogador na época vindo da europa e não do college americano
(o que normalmente gera uma espécie de preconceito dentro das franquias na hora
de selecionar os garotos no Draft), Madsen foi à quadra para, quase que
literalmente, dar uma surra no garoto. O objetivo era testar o quão “macho” era
Porzingis, o quão físico ele poderia ser, e não necessariamente avaliar seu
talento. Na mentalidade retrógrada daquela comissão técnica comandada por Byron
Scott, para um pivô seria muito mais importante “aguentar porrada” do que
arremessar bem de qualquer lugar da quadra e possuir outras habilidades
incomuns para um jogador de 2,21 metros de altura.
Mark Madsen talvez seja o resumo perfeito da incompetência da comissão
técnica atual. Fraquíssimo como jogador, inexperiente como técnico (ou
assistente técnico) mas que, por algum motivo, já está na franquia há 6 anos.
Jesse Mermuys. Amigo pessoal do treinador Luke Walton, Jesse chegou ao Lakers com Luke
em 2016. Com uma relação de amizade criada nos tempos de universidade no
Arizona, Walton, ainda em seus tempos de jogador, chamava Jesse para comandar
os camps (uma espécie de treinamentos que alguns jogadores fazem durante
as férias, geralmente focados em crianças que querem aprender mais sobre o
esporte e de quebra conhecer alguns dos jogadores da NBA) que fazia em parceria
com Richard Jefferson. Walton, assim que assumiu o Lakers, não pensou duas
vezes em trazer o velho amigo para ser parte de sua comissão técnica.
Jesse havia trabalhado como assistente em algumas universidades, até
conseguir um posto como “assistente da coordenação de vídeo” (equipe que,
resumidamente, prepara trechos determinados dos jogos para que o treinador e
sua equipe analisem) no Denver Nuggets. Depois, fez parte da comissão técnica
de Dwane Casey no Toronto Raptors, até assumir o comando da filial dos Raptors
na G-League, os Raptors 905, onde ficou por um ano até ser “convocado” por Luke
Walton para trabalhar no Lakers.
Inexperiente e sem muitas conquistas na carreira, Jesse obviamente foi
contratado por ser amigo de Luke.
Brian Keefe. Keefe certamente é o profissional mais qualificado da comissão técnica
(incluindo o treinador Luke Walton, para que fique claro). Experiente e com
passagens por várias franquias, ele trabalha no Lakers desde 2016 e é o
comandante da defesa desde 2017.
Após alguns trabalhos como assistente em universidades americanas, Keefe
chegou à NBA para ser o coordenador de vídeos no San Antonio Spurs, fazendo
parte da comissão técnica campeã em 2007.
Depois, foi contratado para fazer parte da comissão técnica daquilo que
viraria o Oklahoma City Thunder (na época “se mudando”, trocando de cidade e
nome, saindo de Seattle, deixando de ser Seattle Supersonics). Inclusive, foi
no Thunder que Keefe teve seu trabalho mais expressivo. Trabalhando como
treinador de desenvolvimento de jogadores (ou Player Development Coach,
em inglês), Keefe era um dos responsáveis diretos no processo de “lapidamento”
dos então jovens Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden, durante as
temporadas 2008/2009 e 2009/2010. Em 2010, após o bom trabalho na função, Brian
foi promovido a treinador de defesa do Thunder para temporada 2010/2011. Função
na qual permaneceu até 2015, sendo parte fundamental da grande fase da
franquia, incluindo as finais da conferência oeste em 2011 e as finais da NBA
em 2012.
Na temporada seguinte, Keefe resolveu respirar novos ares e se mudou
para Nova Iorque, onde foi parte da comissão técnica de Derek Fisher nos
Knicks. Keefe novamente trabalhou como assistente de defesa, mas tinha uma
“função especial”, na qual era responsável por trabalhar no desenvolvimento de
Kristaps Porzingis, na época um novato.
Em 2016, chegou ao Lakers como assistente e, em 2017, virou o
coordenador defensivo da franquia. É possível que ele ainda faça uma função
semelhante a que fazia no Knicks, trabalhando também como um dos responsáveis
pelo desenvolvimento de jogadores, mas é apenas suposição minha. Oficialmente,
Keefe é “apenas” o coordenador defensivo da franquia.
Brian Keefe possui um currículo pra lá de interessante e, certamente,
não foi por acaso que o único aspecto do time que funcionou nas últimas duas
temporadas tenha sido justamente a defesa, comandada por ele. Uma “limpa” na
franquia é necessária, mas Keefe pode, e deve, ser um nome a ser olhado com
mais carinho, seja como coordenador defensivo, seja como um treinador de
desenvolvimento de jogadores.
DEPARTAMENTO MÉDICO
Observado de perto por Marco Nuñez, chefe do departamento médico/atlético da franquia, Lebron James vai saindo de quadra após lesionar a virilha no aguardado confronto contra o Golden State Warriors. Esse foi, certamente, um dos jogos mais marcantes da temporada, combinando talvez o melhor desempenho do time com a lesão de sua grande estrela, iniciando a queda de um time que mal havia “subido”.
Não sou um especialista na área médica, muito pelo contrário, entendo
tanto de medicina quanto Luke Walton entende de montar rotações, mas não é
preciso ser um especialista para ver o quanto o departamento médico prejudica a
franquia. Há anos, raramente temos um time 100% saudável em quadra. É
corriqueiro ter um ou dois jogadores com lesões pequenas, enquanto geralmente
uma peça do elenco sofre com uma lesão mais séria.
Quando Mike D’Antoni era o treinador, se dizia que o elenco era muito
velho para jogar na correria que o treinador implantava e que, por isso, os
jogadores se machucavam. Depois, com Byron Scott, seus treinos eram muito
intensos e isso causava lesões nos atletas. Mas as desculpas foram acabando, em
especial nas últimas temporadas onde o Lakers tinha uma média de idade baixa e
via seus jovens (jogadores entre 19 e 23 anos) se machucarem constantemente. Julius
Randle se transformou fisicamente quando fez um trabalho totalmente fora do
Lakers, transformando seu corpo em apenas uma offseason. Brandon Ingram
e Lonzo Ball não conseguiram completar 60 jogos na temporada 2017/2018 e
voltaram a sofrer com lesões na temporada 2018/2019, com Lonzo estando presente
em apenas 47 jogos e Ingram em 52. Para piorar, tanto Lonzo quanto Ingram se
machucaram justamente em seus melhores momentos na temporada (ou melhor, na
carreira). Até Lebron James, um super humano quando o assunto é atleticismo e
habilidades físicas, sofreu.
A estrutura da franquia é espetacular. O Lakers possui, certamente, o
melhor e mais moderno centro de treinamento da NBA. O UCLA Health Center é
novo, moderno e gigantesco. É a estrutura dos sonhos para qualquer
profissional. Os jogadores são jovens. Lebron é um atleta fisicamente
monstruoso. Ou seja: Se nada disso justifica lesões, obviamente a culpa está
nos profissionais que formam o departamento médico da franquia.
Moderno, gigantesco e luxuoso: O UCLA Health Center, novo centro de treinamentos do Lakers, é referência na NBA.
VETERANOS
| Os veteranos, em especial Lebron James e Rajon Rondo, deixaram a desejar em aspectos como liderança e comprometimento. |
Você já ouviu aquele ditado: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? Esse ditado é uma boa forma de definir quem é Rajon Rondo. Nas entrevistas, nos treinos e nos pedidos de tempo durante os jogos, se você ouvisse Rondo falar, ficaria encantado. Rondo se gaba de seu alto QI de basquete. Constantemente diz o que outros jogadores devem fazer em quadra. Cobra defesa e intensidade de seus companheiros. Um líder nato. Mas apenas nas palavras. Em quadra, Rondo foi uma tragédia. Um jogador sem vontade, péssimo defensivamente e que, no ataque, ao contrário da imagem criada, não buscava envolver seus companheiros. Buscava, sim, inflar suas estatísticas, principalmente forçando assistências.
| Jogada corriqueira de Rondo durante a temporada: Sem qualquer motivo aparente, o camisa 9 simplesmente abandona seu adversário e o deixa livre para o arremesso mais eficiente do basquete após a bandeja: 3 pts, no corner, livre. |
Mas de Rajon Rondo não se esperava muita coisa. Ou não deveria se esperar muita coisa. Rondo é esse exato jogador há, pelo menos, 6 anos. De Lebron James, sim, se esperava muito. Lebron teve números espetaculares, como sempre. Mas faltou algo. Não sei dizer exatamente o que, mas faltou algo. Por várias e várias noites vimos um Lebron absolutamente apático, cometendo erros que poucas vezes cometeu na carreira, além de um comprometimento defensivo inexistente. Lebron, que deveria dar o exemplo aos jovens, que deveria fazer o time crescer quando as coisas não saiam bem, que deveria dar energia ao time em suas noites preguiçosas, desapareceu. Deixou seu elenco na mão. Não vou comparar Lebron com Kobe, nem com ninguém, mas faltou para Lebron liderar seu elenco. Faltou a Lebron fazer a turma “pegar no tranco”.
Ficou a impressão de que Lebron James em momento algum deu tudo de si.
No começo da temporada, estava se poupando para os playoffs, como fez durante a
carreira inteira. Depois, se lesionou. Quando voltou, e não se sabe se de fato
voltou 100%, não fez o que deveria fazer. Lebron, quando percebeu que a possibilidade
de seu time ficar fora dos playoffs era real, não “virou a chave”. Seguiu
jogando na mesma pegada. Ou melhor, sem nenhuma pegada.
Coube ao garoto Brandon Ingram chamar a responsabilidade que nenhum de
seus veteranos chamou. O garoto tentou o possível e o impossível para ir aos
playoffs. Ingram foi o melhor jogador do time após a pausa para o All-Star
Game. Teve que defender por Lebron e Rondo, e tirar um coelho da cartola a
cada posse ofensiva graças a falta de um ataque bem organizado por seu técnico.
Com médias de 28 pontos e 7 rebotes, além de uma defesa de primeira linha,
Ingram bem que tentou, mas não teve o auxílio dos veteranos para carregar o
Lakers aos playoffs. No fim das contas, acabou sofrendo uma trombose venosa no
braço e sequer pôde dar sequência a sua evolução, ainda que sem chances de
chegar aos playoffs.
| Lebron James? Lebron James… |
DIRETORIA
| Da manutenção da comissão técnica à montagem do elenco, a diretoria do Lakers deu sopa para o azar e pagou um preço alto. |
Ao assinar com Lebron James, a diretoria do Lakers, em teoria, seguiria um caminho óbvio: Assinaria com os melhores arremessadores que conseguisse no mercado, explorando a habilidade de Lebron em passar a bola, atrair a atenção da defesa e finalizar suas bandejas e enterradas, além de defensores versáteis, capazes de carregar o piano para Lebron durante a temporada regular e, principalmente, nos playoffs. Mas a direção optou por um caminho totalmente oposto: Trouxe jogadores que rendem com a bola nas mãos, carecem de um bom arremesso e são nulidades defensivas, tendo muito mais fama de “durões” do que propriamente de bons defensores tecnicamente falando.
O plano era ousado, não era absurdo, mas era ousado. Em vez de tentar o
simples, o óbvio, e seguir a receita de sucesso que Lebron levava consigo onde
quer que fosse, o Lakers resolveu ousar. As chances de dar errado eram grandes.
E deu! Após conversa particular com Lebron, Magic Johnson, comandante das operações
de basquete da franquia, chegou a conclusão de que o “King” deveria ter ao seu
lado veteranos “casca grossa” e playmakers, capazes de servirem Lebron,
e não o contrário. O Lakers confiaría em Kentavious Caldwell-Pope, Kyle Kuzma e
Josh Hart, que haviam sido ótimos arremessadores na temporada 2017/2018, para
ter a garantia de arremessadores confiáveis, além da evolução natural de
Brandon Ingram e Lonzo Ball. Em Rondo, Lance e Beasley, o Lakers adicionaria playmaking
à equipe, além da competitividade e experiência dos veteranos, em especial nas
séries de playoffs. O problema é que KCP, Kuzma e Hart decepcionaram. Em
momento algum durante a temporada foram arremessadores confiáveis como haviam
sido na temporada anterior, regredindo consideravelmente seus aproveitamentos.
Ingram não apresentou muita evolução, mantendo praticamente o mesmo estilo da
temporada anterior, onde apesar de ter um bom aproveitamento, praticamente não
utiliza o recurso. Lonzo evoluiu, mas oscilou bastante, além de ter perdido uma
infinidade de jogos lesionado. O Lakers, então, se viu desesperado. O time não
sabia o que fazer no perímetro, soltando tijolo após tijolo, além de
comprometer, em especial, os jogos de Lebron e Ingram, que viam um garrafão
completamente congestionado em sua frente, sem ninguém para espaçar a quadra
para auxiliá-los. Magic Johnson e Pelinka montaram um time para os playoffs,
onde, na visão deles, fatores como experiência, “casca grossa” e habilidade
para cuidar bem da bola seriam mais importantes que arremessos confiáveis de 3.
Realmente, os melhores momentos da equipe foram justamente contra times de
maior qualidade, os famosos “times de playoffs”. Como dito anteriormente, o
melhor jogo da equipe na temporada foi justamente o mais esperado, o confronto
contra Golden State na rodada de natal. Magic Johnson e Rob Pelinka, de fato,
montaram um time para jogar playoffs. Só esqueceram de um detalhe: Chegar lá…
Magic e Rob poderiam ter feito um trabalho muito melhor mesclando
veteranos “durões” com arremessadores. Uma coisa não excluiria a outra.
Poderiam ter trazido Rajon Rondo, mas mantido Brook Lopez, que acabou indo
parar no Bucks por uma pechincha, e mais um ou dois arremessadores confiáveis.
Já que o plano era arriscado, a dupla não deveria ter ido “all-in” para
executá-lo. Poderiam tranquilamente combinar fisicalidade com arremesso,
montando um elenco muito mais equilibrado, seguindo seus próprios conceitos,
atendendo as exigências de Lebron e facilitando o trabalho de Lebron, Ingram,
Lonzo e da própria comissão técnica.
Mas voltemos um pouco mais no tempo. Mais precisamente para maio de
2018, quando Lebron James, nem nos melhores sonhos dos torcedores, era um
Laker. Foi nessa época que Mike Budenholzer assinou com o Milwaukee Bucks. “Ué,
e o que isso tem a ver com o Lakers?”, você pode se perguntar. Budenholzer,
provavelmente o melhor técnico do mundo após Gregg Popovich, estava livre no
mercado. Por n razões, decidiu que não seguiria mais no Atlanta Hawks e, a
partir de então, buscaria uma nova franquia. Em abril, as primeiras notícias
indicavam que Budenholzer era “pretendido” apenas por Knicks e Bucks. Os Knicks
acabaram fechando com David Fizdale e, então, Budenholzer foi para Milwaukee. A
minha crítica é a seguinte: Não se perde a oportunidade de ter Mike Budenholzer
comandando seu time. Ainda que seja adorado pela presidente Jeanie Buss, Walton
já havia dado todas as provas necessárias de que não possuía capacidade de
treinar uma equipe em alto nível. O general manager Rob Pelinka e,
principalmente, Magic Johnson, deveriam ter batido no peito e bancado a
demissão de Walton para, então, trazerem o técnico mais competente que entrou
no mercado em muito tempo. As notícias ainda são vagas, algumas indicam que em
momento algum houve a ideia de demitir Luke antes da temporada começar. Outras,
indicam que a presidente Jeanie Buss, ao contrário do que havia dito quando
trouxe Magic e Pelinka, usou seu poder para impor a permanência do seu
queridinho treinador. Seja qual for a verdade, o erro foi grosseiro. Grosseiro
e que custará caro, afinal ainda que Luke e sua comissão técnica devam “rodar”
a qualquer momento, não existe nenhum nome que sequer se aproxime de ser
unânime, como seria Budenholzer. O mercado hoje entrega veteranos ultrapassados
ou treinadores sem muita (ou qualquer) experiência na NBA.
Outro erro grosseiro foi perder Julius Randle de graça. No meio de um
evidente atrito com o agente do jogador, Aaron Mintz, além da obsessão em
manter espaço na folha salarial para a temporada seguinte, o Lakers deixou
Randle escapar por nada. Randle, que mostrava uma evolução grande, tanto física
quanto técnica, havia sido o melhor jogador do Lakers na temporada 2017/2018.
Quando a agência livre chegou, em momento algum o Lakers parece ter levado uma
oferta séria ao garoto. Queriam que Randle assinasse por uma quantia baixa
(cerca de 5 milhões de dólares), num contrato de apenas uma temporada, para
que, na temporada seguinte (19/20), pudessem perseguir as estrelas Kawhi
Leonard, Kevin Durant, Kyrie Irving & CIA. Randle preferiu não arriscar.
Preferiu assinar um contrato nada espetacular com o New Orleans Pelicans,
recebendo $9 milhões por temporada, mas tendo a garantia de um segundo ano se
assim desejar. O Lakers, claro, não era obrigado a manter o garoto e muito menos
obrigado a arriscar seu plano de conseguir uma estrela na agência livre de 2019
ao comprometer espaço na folha salarial dando a Randle um contrato maior. O
problema é que ficou muito claro que o Lakers entrou na agência livre de 2018
com a ideia clara de que ou Randle assinava por uma merreca num contrato
expirante, ou o Lakers não teria interesse. E Randle deixou claro que não
aceitaria essa oferta. Faltou planejamento. As partes não cederiam seus termos,
ou seja, jamais haveria acordo. E, se jamais haveria acordo, o Lakers deveria
ter trocado Randle antes da agência livre chegar. Deveria ter aproveitado a
excelente fase do jogador para conseguir algo em troca, nem que fossem meras
escolhas de Draft. Perder Randle por nada foi um golpe duro de assimilar para
os torcedores.
FUTURO
| O Lakers precisa, urgentemente, de uma reformulação no elenco, comissão técnica e departamento médico. |
O Lakers precisará de uma faxina geral na franquia. E nada de jogar aquela sujeirinha para debaixo do tapete, é preciso limpar cada canto da franquia.
A começar pelo departamento médico. Ao contrário da montagem do elenco,
para comissão técnica e departamento médico não existe teto salarial. Então,
uma franquia como o Lakers, com faturamento multimilionário, não pode se
limitar a profissionais tão desqualificados como nos últimos anos. O Lakers tem
que usar de seu poder para ser referência nesses aspectos. É hora de abrir o
cofre e trazer profissionais top de linha. Para o departamento médico, nem que
seja necessário buscar profissionais de outros esportes, ou de outras
franquias, Jeanie Buss precisa fazer o que for possível para melhorar
consideravelmente esse setor de sua franquia. Já são quase 10 anos sofrendo com
lesões que, na maior parte dos casos, são consequência de um DM incompetente.
Quanto a comissão técnica, o buraco é mais fundo, afinal, como dito
anteriormente, o mercado está escasso. Toda a franquia deve estar envolvida na
decisão, que deve ser tomada cuidadosamente, afinal a franquia não pode se dar
ao luxo de, outra vez, trazer técnicos abaixo da média. Nomes como Jay Wright,
multicampeão na universidade de Villanova, e Ettore Messina, lenda do basquete
europeu e braço direito de Gregg Popovich, me vem à cabeça. Mas é preciso
analisar detalhadamente cada profissional para não errar outra vez. Desde a
saída de Phil Jackson, o Lakers não encontra um profissional capaz de fazer o
time jogar um basquete agradável ofensivamente, de defesa forte e entrega
durante os 48 minutos, por 82 jogos. Chegou a hora de dar um tiro certeiro e
trazer um técnico que ficará na franquia por muitos e muitos anos, aplicando um
sistema de jogo moderno, competitivo e, mais importante, capaz de ganhar
títulos.
Meu avô sempre dizia: “Nós não erramos, nós aprendemos!”. O Lakers deu
um tiro no escuro ao montar um elenco, digamos, peculiar em torno de Lebron. A
ideia foi um fracasso e é necessário aprender com o erro para não repetí-lo.
Com Brandon Ingram e Lonzo Ball, o Lakers já possui os playmakers
solicitados por Lebron e adorados por Magic. O Lakers precisará fazer o
simples: Trazer arremessadores confiáveis que espacem a quadra para que Lebron
e Ingram ataquem a cesta, além de propiciar para Lonzo melhores opções de
passe. O Lakers tem espaço na folha salarial e, apesar de todo torcedor sonhar
com Kevin Durant ou Kawhi Leonard, talvez seja hora de criar uma identidade
para a franquia. Não digo que não devemos tentar as estrelas, porque sim,
devemos, especialmente tendo espaço na folha salarial, porém não devemos nos
limitar apenas a isso. Independentemente de estrelas chegarem ou não, é hora de
seguir em frente e parar com o plano de trazer jogadores apenas em contratos de
um ano para completar o elenco. É hora de trazer jogadores que encaixem bem com
Lebron, Ingram e Lonzo e formar um time, um grupo. Um grupo que possa jogar
junto por mais de uma temporada, que tenha entrosamento, que lute por vitórias
em quadra, e não por estatísticas para tentar cavar um contrato melhor em
alguns meses. Nomes que se encaixam nisso não faltam. JJ Redick, Danny Green,
Wesley Matthews, Bojan Bogdanovic, Trevor Ariza e Nikola Mirotic são alguns dos
nomes pouco badalados, mas que cairiam como uma luva no Lakers, e que estarão
disponíveis no período de agentes livres. A manutenção de Reggie Bullock, que
chegou por troca no meio da temporada, também seria interessante. Rajon Rondo e
Lance Stephenson precisam cair fora.
Também é preciso ter cautela com relação a Anthony Davis. Segundo
notícias, ainda que desencontradas, o Lakers teria oferecido Lonzo Ball,
Brandon Ingram e Kyle Kuzma, além de outros jogadores e escolhas no Draft para
os Pelicans em troca do “Monocelha”. É uma situação complicada, afinal Davis é
um dos 5 melhores jogadores do mundo e a tentação de tê-lo em seu time é
grande, ainda mais depois de ver Paul George, que fazia juras de amor ao Lakers
e indicava que assinaria com a franquia na agência livre, renovar seu contrato
com o Thunder sem sequer se reunir com a direção do Lakers. Na humilde opinião
desse torcedor que vos escreve, o Lakers sequer deveria tentar uma nova troca.
Na minha opinião, deveríamos manter todos os garotos, buscar uma estrela via
agência livre e seguir em frente, confiando não só na vontade de Davis em jogar
no Lakers, mas também no fato de ter o mesmo agente de Lebron James, que
certamente adoraria ver seus dois maiores clientes jogando juntos na maior
franquia da NBA, em Hollywood. Mas, se a diretoria estiver disposta a trocar,
acredito ser necessário limitar a troca a apenas um dos garotos de maior
destaque (ou seja: Ingram, Lonzo OU Kuzma) e escolhas de Draft.
O Lakers, mais uma vez, vive o impasse de trocar ou não seus jovens por uma estrela que manifesta interesse em jogar com a regata dourada. Agora, o nome da vez é Anthony Davis.
|
Magic Johnson e Rob Pelinka constantemente usam as palavras “cultura” e
“identidade” para se referir ao que buscam criar na franquia. Chegou a hora de
não apenas falar, mas de, de fato, criar uma nova cultura na franquia, com uma
identidade. É hora de Jeanie Buss deixar seu ego de lado e deixar seus homens
de confiança trabalharem. A franquia precisa usar seus imensos recursos, tanto
financeiros quanto de estrutura, para formar um departamento médico de
respeito. Chega de jogadores de 20 anos vivendo no DM. Chega de os principais
jogadores do time jogarem juntos por menos de 50% dos jogos porque alguém
sempre está machucado. É hora de abrir o cofre e trazer profissionais top de
linha, para que a franquia tenha pelo menos o mínimo necessário, que é todos
seus jogadores prontos para jogar.
É hora de Magic e Rob se juntarem ao competentíssimo Jesse Buss, chefão
do departamento de scout (aquele capaz de selecionar, em picks no fim do
primeiro round, jogadores mais qualificados do que outras franquias selecionam
na loteria) e montar uma comissão técnica de dar inveja em outras franquias. É
hora de buscar especialistas em cada área. Um especialista em defesa, um
especialista na criação de jogadas, um especialista no desenvolvimento de
jogadores, especialistas em analytics e, claro, finalmente um técnico
competente para ser o head coach que irá comandar toda essa equipe.
Chega de former Lakers, chega de pessoas identificadas com a franquia ou
que tenham relação com pessoas identificadas com a franquia. Repetindo: Não há
folha salarial para treinadores. Não há qualquer limitação. O Lakers precisa
usar todos os seus recursos para montar uma equipe extremamente qualificada.
Chegou a hora, “Maginka”. Ou melhor, já passou da hora. Vocês têm que
ser os responsáveis pela reformulação completa da franquia. Use seu poder,
Magic. Use seu nome e o respeito conquistado não só como, de novo na opinião
deste que lhes escreve, o maior e melhor jogador que já pisou em uma quadra de
basquete, mas também como homem de negócios extremamente exitoso para bater no
peito e, finalmente, colocar a casa em ordem. Foque nas estrelas, mas não foque
SÓ nas estrelas. Monte uma equipe para nós, torcedores. Traga jogadores que
darão tudo de si por vitórias, não para inflar seus números. Chega de contratos
de um ano. Crie a tal identidade. Crie uma cultura. Traga um treinador capaz de
fazer o time jogar como uma unidade, um grupo. Traga uma equipe moderna e
qualificada para auxiliá-lo. Monte um departamento médico que cause inveja em
qualquer franquia/clube de qualquer esporte. Ainda que não seja fácil, o Lakers
precisa apenas de um empurrãozinho. Uma excelente base de jogadores para o
elenco já foi criada. Temos o melhor centro de treinamentos da NBA. Dinheiro
não falta. Vamos lá, não tenha medo, Magic. Não seja mão de vaca, Jeanie. Criem
a identidade. Criem a cultura. Não confiem apenas no nome “Los Angeles Lakers”
para que as coisas aconteçam. Trabalhem. Criem toda uma engrenagem capaz de
fazer com que as principais peças, ou seja, os jogadores, entrem em quadra e
sejam, noite após noite, capazes de jogar um basquete intenso, “mordedor” na
defesa; que, no ataque, movam a bola, busquem sempre um companheiro melhor
posicionado; um time organizado, que jogue um basquete moderno e competitivo.
Que os jogadores possam lutar em quadra sem medo de se machucar. Um time onde
os jogadores confiem que cada um de seus treinadores sabe o que está fazendo,
que lhes colocará em condições de vencer cada jogo. Não é tão difícil assim,
estrutura e dinheiro não faltam. Magic, Rob e Jeanie… A limpeza começa agora.
Vocês não podem mais esperar. Aprendam com os erros e coloquem essa franquia no
lugar que ela jamais deveria ter saído: No topo!
*Autor: @LeoLake(elebano_el_terremoto)
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